Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

As bandas sonoras de John Lurie (1)

 

JOHN LURIE, CHINESE GOOD-LUCK HORSE, 2006, 30,5 x 40,6 cm, aguarela, óleo pastel sobre papel

 

Num concerto que correspondeu inteiramente às expectativas, o único senão terá sido o tempo e o modo da sua gestão e organização interna

Para quem jamais tenha ouvido falar da ligação de John Lurie às diversas áreas da expressão cinematográfica ou mesmo da dança, sem dúvida que a audição da maioria dos temas que o saxofonista apresentou na terça-feira passada  [20.04.99]  no Centro Cultural de Belém terá ajudado a fazer luz sobre determinados aspectos essenciais da sua escrita.

Com efeito, muito mais do que «música pura», a sensação quase constante que o ouvinte experimenta é a de estar em presença de «música de cena» ou de «música programática», com frequência suscitando a  (ou suscitada pela) associação a imagens que se formam  (ou a movimentos de corpos cuja evolução se adivinha),  como se de uma gigantesca e multiforme banda sonora se tratasse.

Por isso mesmo, um segundo aspecto da concepção musical de Lurie – e que, porventura, terá surpreendido quem o antecipasse como cultor de uma modernidade assente nas explosões e transgressões mais aleatórias –  é também, o lado altamente organizado que ele transmite à sua música e dos seus pares.

Por um lado, dando sempre a impressão de que as coisas se vão organizando ao sabor da inspiração de momento  (ou até da maior ou menor receptividade interactiva do receptor último da performance)  mas, no fundo, meticulosamente orientando a evolução dos acontecimentos musicais em função de um plano preestabelecido nas suas grandes linhas.

 

JOHN LURIE, MAN'S HANDS HAVE TURNED INTO FORKS. DON'T TRUST HIM, 2005. 30,5 x 22,9 cm., aguarela, tinta sobre papel

Nesse sentido, assaltou por vezes o crítico a impressão de que nem sempre John Lurie avaliou da melhor maneira a dose e a extensão da produção de «informação» musical, correspondente no tempo e no espaço a esse plano prévio, sobretudo porque a sua própria absorção  (através da monição de palco)  da música que ia sendo criada terá sido, porventura, qualitativamente diversa daquela que a amplificação impunha ao ouvinte do lado de cá da cena, quiçá mais submergido pelos aspectos quantitativos dessa absorção.

 

E foi este um aspecto menos positivo e não negligenciável deste brilhante concerto dos Lounge Lizards:  a, por vezes, excessiva dose de informação sonora saída da amplificação do PA, prejudicando a transparência tímbrica e até a frescura que se conhecia dos seus últimos álbuns gravados em estúdio  (em particular o excelente Queen of All Ears),  para nos devolver uma amálgama sonora demasiado disforme e totalmente alheia ao «caos organizado» que é a arte conceptual de John Lurie, assim tornando frustrante a tarefa de discernir os vários planos sonoros e subvertendo certas subtilezas instrumentais indispensáveis à recta fruição dessa música.

Uma música que, para além das etiquetas que lhe têm sido apostas  – free-funk, post-funk, fake, rock, punk-rock, underground, no wave e outras que tais –  se distinguiu por uma surpreendente obsessão tonal a par de uma ampla diversidade das suas referências multiculturais, que vão das melopeias da África do Norte aos ritmos da América Latina, passando pelas evocações do cabaret da Europa central, mas que confluem numa expressão fortemente urbana e intelectual, típica da cena downtown nova-iorquina.

Uma música singular que, por exemplo, no plano instrumental e no caso do próprio John Lurie, curiosamente se afasta de forma resoluta do revivalismo free-jazz (à excepção de certas incursões pelo mundo naif de Albert Ayler)  para se centrar, lá mais atrás, no saxofonismo «pós-moderno» de um... Frankie Trumbauer!

E esta, hein?
_______________________________
(1) – in Diário de Notícias (22.04.09)

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 09:54
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Sábado, 26 de Setembro de 2009

Período de reflexão

 

 

 

 


 

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Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 10:59
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

R.I.P.

 

Luís Sangareau (com Jean-Pierre Gebler)

(cortesia: Augusto Mayer e Jazz no País do Improviso!)

 

Era esta, sem dúvida, a pior maneira de retomar o contacto (há tempos interrompido) com os leitores de O Sítio do Jazz: para vos dar conta da partida de dois grandes amigos.

 

Depois de, há semanas, nos ter deixado Rui Cardoso, o primeiro destacado saxofonista (flautista) do jazz moderno português, também ontem desapareceu Luís Sangareau, o "nosso" mais sensível e musical baterista de sempre, ambos companheiros inesquecíveis de tantas noitadas de música e de amizade!

 

Nestes momentos difíceis, a parcimónia das palavras é o meio mais adequado de homenagear a memória de ambos.

 

Rui Cardoso

(cortesia: Augusto Mayer e Jazz no País do Improviso!)

 


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 09:34
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

hhhhmmmm...

 

 

Antes que comece em cheio uma nova temporada, eis que o escriba se prepara para ir a banhos ou tomar ares.

Já não era sem tempo!

Até já!

 


 

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Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 09:34
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

O Jazz na Festa do "Avante!"

 

 

Aproxima-se mais uma edição da Festa do Avante!, o maior evento cultural de massas realizado todos os anos no nosso país, e mais uma vez o jazz e a música improvisada irão estar presentes no seu palco habitual: o do Auditório 1º. de Maio.

 
Este ano, o cartaz será o seguinte:
 
 
Sábado, 5
14:00
Post Card Brass Band com Mário Marques (sax-soprano), Ruben Santos (trombone), Sérgio Carolino (Sousafone) e Michael Lauren (bateria)
 
Sábado, 5
15:00

O duo Telectu (Jorge Lima Barreto e Victor Rua), com os convidados Jonas Runa (laptop), Eddie Prevost (bateria e electrónica) e Jamie Coleman (trompete e electrónica)

 

Sábado, 5
 
 
 
 
18:00

Nelson Cascais Guruka Quinteto, com Pedro Moreira (saxofones), João Paulo (piano & Fender Rhodes), André Fernandes (guitarra), Nelson Cascais (contrabaixo) e Iago Fernandez (bateria)

 

 

Sábado, 5
22:00

Laurent Filipe Flick Music Quinteto, com Laurent Filipe (trompete e fliscorne), André Fernandes (guitarra), Massimo Cavalli (contrabaixo) e Pedro Viana (bateria)

Sábado, 5
24:00

Maria João & Mário Laginha Chocolate Quinteto, com Maria João (voz), Julian Argüelles (saxofones), Helge Andreas Norbakken (percussão) e Alexandre Frazão (bateria)

Domingo, 6
17:00

João Lencastre Communion Quinteto, com Phil Grenadier (trompete), Benny Leckner (piano), Thomas Morgan (contrabaixo) e João Lencastre (bateria)

 

 
Não há Festa como esta!
 


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 09:03
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